A Prefeitura de Duas Estradas divulgou neste sábado uma nota oficial sobre o caso da gestante que denunciou sucessivas falhas no atendimento de saúde após perder o bebê durante uma gestação de alto risco.
Na nota, o Município informa que está apurando “com rigor e responsabilidade” os fatos relacionados ao atendimento da paciente e afirma que a Secretaria Municipal de Saúde analisa toda a documentação do caso, incluindo o prontuário, o acompanhamento pré-natal e os atendimentos realizados. A administração também informou que ouvirá os profissionais envolvidos antes da adoção de eventuais medidas.
A Prefeitura ainda manifestou solidariedade à paciente e aos familiares, ressaltou que a rede municipal conta com profissionais qualificados e afirmou repudiar “qualquer tentativa de exploração política” do episódio.

Paciente apresenta elementos que divergem da nota
Entretanto, os elementos reunidos pela paciente apresentam uma narrativa que deverá ser esclarecida durante a apuração.
Entre eles estão áudios, mensagens, exames médicos, registros de atendimento e uma entrevista em vídeo na qual ela relata, em detalhes, a sequência dos acontecimentos.
Segundo a paciente, ela informou desde o início do pré-natal que a gestação era de alto risco e possuía histórico de perdas gestacionais. Ainda assim, afirma que enfrentou dificuldades para obter acompanhamento médico compatível com sua condição.
Ela também relata que, após a confirmação do óbito fetal, procurou atendimento duas vezes no Hospital Regional de Guarabira, mas não conseguiu a realização do procedimento necessário.
Pedido de ajuda à gestão municipal
Um dos pontos centrais da denúncia envolve os pedidos de auxílio encaminhados diretamente à gestão municipal.
A paciente afirma que solicitou transporte ao secretário responsável, informando que havia conseguido atendimento em João Pessoa e que precisava apenas de um veículo para chegar ao hospital.
Após a negativa, encaminhou um áudio à prefeita relatando que permanecia com um feto retido, afirmando que já estava nessa condição havia vários dias e alertando para o risco de infecção caso não recebesse atendimento.
Além disso, enviou mensagem ao controlador-geral/chefe de gabinete descrevendo a urgência da situação e pedindo ajuda.
Segundo a paciente, nenhuma dessas mensagens recebeu resposta.
Atendimento ocorreu em João Pessoa
Ainda conforme o relato da paciente, somente após conseguir ajuda de terceiros foi possível chegar ao Hospital Cândida Vargas, em João Pessoa, onde foi submetida ao procedimento para retirada do feto.
Apuração
A divulgação da nota representa o primeiro posicionamento oficial da Prefeitura sobre o caso.
Embora a Prefeitura informe que está apurando o caso, a própria cronologia dos fatos já conhecida revela pontos que ainda deverão ser esclarecidos. Entre eles estão as mensagens encaminhadas pela gestante à prefeita e ao controlador-geral, nas quais relatava a urgência da situação e solicitava ajuda, além da negativa de transporte sanitário narrada pela paciente, dos atendimentos no Hospital Regional de Guarabira e da posterior realização do procedimento no Hospital Cândida Vargas, em João Pessoa. Esses fatos poderão ser confrontados com os prontuários, registros administrativos e demais documentos durante a apuração. protocolos e deveres aplicáveis.