O Príncipe Andrew, irmão do Rei Charles III, foi detido pela polícia de Thames Valley nesta quinta-feira (19), data em que completa 66 anos. A prisão ocorreu sob suspeita de “má conduta no exercício de um cargo público”, em uma investigação que abrange o período entre 2001 e 2011, quando o duque de York atuou como enviado especial do Reino Unido para o comércio internacional.

A investigação ganhou força após o surgimento de informações de que Andrew teria repassado dados potencialmente confidenciais ao criminoso sexual americano Jeffrey Epstein. Segundo a polícia, o vazamento teria ocorrido durante missões diplomáticas e comerciais de Andrew.

A detenção foi confirmada pela polícia de Windsor, região onde se localiza a Royal Lodge, residência que o príncipe ocupou por décadas.

O comunicado da polícia informa que operações de busca estavam em curso em dois endereços na Inglaterra, aparentemente relacionadas com as acusações.

No dia 11 de fevereiro, novos documentos vieram à tona e parecem indicar que o irmão do rei Charles III repassou informações confidenciais a Jeffrey Epstein. O Ministério Público informou que está “em contato” com a polícia sobre as suspeitas.

O ex-príncipe, hoje afastado da vida pública, era então representante especial do Reino Unido para o Comércio Internacional, cargo que ocupou entre 2001 e 2011.

Segundo um e-mail enviado ao financista e agressor sexual americano, com data de 24 de dezembro de 2010, o ex-príncipe teria encaminhado “um relatório confidencial” sobre oportunidades de investimento no Afeganistão.

O e-mail é mais um dos documentos, também incluídos nos arquivos Epstein, que sugerem que, em 2010, Andrew enviou ao financista relatórios sobre viagens de trabalho à China, Singapura e Vietnã.

A polícia regional de Windsor indicou que está “examinando as informações” sobre Andrew Moutbatten-Windsor, como ele deve ser chamado desde que foi despojado de seus cargos aristocráticos.

Impacto na monarquia

A prisão de Andrew representa um novo capítulo na crise de imagem da família real britânica. Ele já havia sido afastado de suas funções oficiais e destituído de seus títulos militares e patrocínios reais em decorrência de suas associações com Epstein. Até o momento, o Palácio de Buckingham não emitiu uma declaração oficial sobre o desdobramento policial ocorrido nesta manhã.

Em meio ao ressurgimento do caso Epstein, Andrew se exilou longe de Windsor. Em outubro, após uma nova série de revelações constrangedoras ligadas ao pedófilo americano Jeffrey Epstein, Charles III havia tomado a decisão histórica de retirar de Andrew seus títulos reais.

Além disso, ordenou que o irmão mais novo deixasse a mansão, onde vivia havia mais de 20 anos – em troca de um aluguel irrisório – com a ex-esposa Sarah Ferguson, para se reinstalar em uma propriedade real em Sandringham, no nordeste da Inglaterra.

O imóvel de Sandringham pertence ao rei, diferentemente de Windsor, administrado de forma independente por um organismo do qual o Estado recupera a maior parte das receitas.

Mas, segundo fontes citadas pela imprensa britânica, os acontecimentos se aceleraram, já que o rei estaria “cada vez mais preocupado” com o grau de envolvimento do irmão nesse escândalo.


Entre os documentos surgiram fotos sem data nas quais Andrew aparece ajoelhado e inclinado sobre uma jovem cujo rosto está censurado, além de e-mails convidando o criminoso sexual a Buckingham para conversar em “particular”.

Andrew já havia sido acusado por Virginia Giuffre de agressões sexuais quando ela era menor de idade. A principal testemunha de acusação do caso Epstein se suicidou em abril passado.

Uma segunda mulher afirmou, por meio de seu advogado, que o financista americano a enviou ao Reino Unido em 2010 para manter relações sexuais com Andrew no Royal Lodge.

Uma carta de um advogado surgiu nos documentos da Justiça americana, relatando uma noite com “bailarinas exóticas” em Palm Beach, nos Estados Unidos, no início de 2006, durante a qual Epstein teria apresentado uma delas, representada por um advogado, a Andrew.

Os dois homens teriam proposto manter relações sexuais ao mesmo tempo.

A jovem teria se recusado, mas a vontade dos dois homens teria “prevalecido”, afirma o advogado na carta, acrescentando que ela recebeu dinheiro posteriormente, embora menos do que havia sido prometido inicialmente por dançar.

“Uma questão de consciência”

Andrew, que sempre negou qualquer comportamento ilegal, não fez nenhuma declaração desde a publicação dos últimos documentos.

Apesar da tradicional reserva do governo em relação à família real, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, avaliou que Andrew deveria depor perante o Congresso americano sobre o que sabe a respeito dos crimes do financista.


Segundo fontes da realeza citadas pelo Daily Mail, o palácio considera que depor é agora “uma questão de consciência” para o irmão de Charles III.

Sua ex-esposa, Sarah Ferguson, com quem Andrew manteve uma relação próxima, também vê sua imagem prejudicada pelos documentos publicados nos últimos dias.

“Obrigada, Jeffrey, por ser o irmão com o qual sempre sonhei”, escreveu a ex-duquesa de York a Epstein em um e-mail de 2009.

Alguns meses depois, explicou ao financista que tinha “urgente necessidade de 20.000 libras”, cerca de R$ 65 mil na cotação da época, para pagar seu aluguel.

“Não tenho realmente palavras para descrever meu amor e minha gratidão por sua generosidade e sua bondade”, escreveu em janeiro de 2010. “Estou a seu serviço. Case-se comigo”, acrescentou.

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