
O técnico de enfermagem Vancleiton, integrante de uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), passou a ser alvo de questionamentos públicos após a divulgação de imagens feitas durante uma ocorrência registrada no dia 19 de janeiro, no bairro Tibiri, em Santa Rita. As imagens levantam dúvidas sérias sobre conduta ética e comprometimento com a prestação adequada de socorro.
A ocorrência envolveu uma pessoa em situação de rua, ainda não identificada, vítima de espancamento em via pública. O pedido de socorro foi feito por uma moradora das imediações, que encontrou o homem caído, com múltiplos ferimentos. O atendimento inicial foi realizado por uma unidade de motolância, o que indica que o socorro ainda estava em andamento, aguardando a chegada de uma Unidade de Suporte Básico (USB) para a remoção do paciente.
As imagens que circulam mostram a vítima deitada no chão, com curativo na cabeça, sangramento no braço e sinais evidentes de trauma facial. O estado clínico do paciente demonstra que se tratava de uma situação de urgência, exigindo atenção contínua da equipe e vigilância constante até a conclusão do atendimento. Ainda assim, durante esse intervalo crítico, o profissional optou por realizar registro de imagem pessoal no local da ocorrência.
O fato de o registro ter sido feito enquanto a vítima permanecia ferida, exposta e sem qualquer condição de consentimento amplia o questionamento público sobre a conduta adotada. Especialistas em atendimento pré-hospitalar ressaltam que, em casos de agressão física, especialmente com suspeita de politrauma, não há margem para distrações, tampouco para atitudes que desviem o foco do cuidado ao paciente.
As imagens reforçam que o atendimento não havia sido encerrado e que a vítima permanecia sob responsabilidade direta da equipe do SAMU. Nesse contexto, a realização de registros pessoais contraria princípios básicos do serviço de urgência, além de ferir normas éticas da enfermagem, que proíbem a exposição de pacientes, sobretudo em situações de vulnerabilidade extrema.
Diante da repercussão, cresce a cobrança por uma apuração rigorosa por parte da coordenação do SAMU de Santa Rita e do Conselho Regional de Enfermagem (COREN). As imagens deixam de ser apenas um registro e passam a ocupar papel central no debate público, ao evidenciar uma possível falha ética cometida em serviço, durante um atendimento de urgência, financiado com recursos públicos.
O episódio reforça a necessidade de transparência, fiscalização e responsabilização, para que situações semelhantes não sejam tratadas com naturalidade nem silenciadas diante da gravidade que representam.





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